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Vem pra roda menina, mexer com as cadeiras, vem sambar!

, Cristina Buarque

Fotos: Vinicius Terror

…”Que esse samba é da antiga, de gente amiga, vem sambar!

E quem foi ao Espaço 104, no centro de BH nesse último sábado, sambou… E sambou bonito, com direito a samba da antiga e muita gente amiga!
Fui chegando no lugar e já percebi tudo… Olhei ao redor, um galpão, localizado no centro da cidade, onde funcionava antigamente uma fábrica de tecidos… No centro do galpão, uma mesa e cadeiras em volta, umas quinze… Dei mais uma conferida e nada de som… Nenhuma mesa, caixas de som ou técnicos! Pronto!
O tal “show” de lançamento do CD “Terreiro Grande e Cristina Buarque cantam Candeia”, era na verdade uma roda, no melhor estilo Terreiro Grande… Tudo acústico, aquele clima de descontração (só faltou ser num buteco!), e haja gogó! Uma roda de samba em que o homenageado da noite com certeza se sentiria em casa! Coisa linda!
Imaginem só se essa mistura não podia ser mais feliz! Cristina Buarque, uma mulher de fundamental importância para a divulgação das obras de diversos compositores, especialmente daqueles da Portela, sua escola do coração. Terreiro Grande, uma turma que hoje, é responsável por divulgar o samba em seu melhor estado de espírito, inspirando uma grande quantidade de jovens sambistas por todos os cantos do Brasil. Felizmente proliferam-se projetos e rodas informais como O pessoal do Samba de Terreiro de Mauá, o Projeto Resgate e o Nucleo de Samba Jequitibá. Junta essa turma toda e preparem um repertório de primeira em homenagem a um dos maiores sambistas de todos os tempos! Foi daí que nasceu o ótimo “Terreiro Grande e Cristina Buarque cantam Candeia”


Tive a oportunidade de bater um papo com o pessoal e os caras são gente finíssimas! Como eles mesmos disseram, o mais importante alí é que são todos amigos! É isso que faz o samba ter aquela coisa a mais, o prazer de estar alí tocando e cantando, todos juntos… Até eu acabei dando umas batucadas lá com eles! (valeu Luizinho, foi uma grande honra pra mim!). Pra vocês verem, o cara, sem me conhecer e nunca me ouvir tocar, jogou o pandeiro dele na minha mão!
Bem diferente do que se costuma ver por aí hoje em dia, onde o que impera é uma absurda briga de egos, vaidade… uma coisa muito profissionalizada, mesmo nas chamadas rodas de samba… Aí fica ruim, o samba fica sem emoção. Fica muito bonito, mas fica sem tempero. Quantas vezes cheguei numa roda de desconhecidos, comecei a tocar meu pandeiro e nego ficar me olhando com aquela cara de mau, pensando “quem é esse cara?”, “o que ele tá fazendo aquí?”… Parece que têm medo de você roubar o espaço deles, sei lá… A galera geralmente é muito pouco receptiva…
O samba não é só musica. Pra uma roda funcionar não bastam bons musicos apenas. É preciso emoção… é preciso que as pessoas envolvidas se dêem bem, sejam amigos! É preciso conhecer os companheiros de roda, frequentar suas casas e botequins preferidos, não basta encontrar duas vezes por mês pra tocar samba!
E é por isso que ponho muita fé nesse pessoal! Pelo pouco que já conhecí da história do Terreiro Grande, pelo respeito à tradição e aos compositores muitas vezes esquecidos. Pela oportunidade de conhecer coisas inéditas de compositores que adoramos… e também pela oportunidade de ouvirmos sambas memoráveis de Alvaiade, Roberto Martins, Chico Santana, Alberto Lonato e companhia de um jeito que só se ouve em uma boa roda de samba!
Salve o Terreiro Grande, Salve Cristina Buarque, Salve Candeia!
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